Mostrando postagens com marcador O Popular. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O Popular. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de julho de 2013

Maioridade penal: 92% é a favor de redução

Pesquisa em Goiânia questionou população sobre mudança de idade mínima de 18 para 16 anos de idade


Malu Longo 02 de julho de 2013 (terça-feira)


Pesquisa realizada entre os meses de maio e junho pelo Grupom, empresa goiana de consultoria e pesquisas, mostra que 92% dos moradores de Goiânia são favoráveis à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A pesquisa é uma iniciativa do próprio Grupom que está comemorando 40 anos de atividades. O resultado é semelhante a outros estudos feitos no País este ano. Números do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) revelam que em 2012 as representações dos Ministérios Públicos estaduais de todo o País cresceram 7% em relação ao ano anterior em razão de atos infracionais cometidos por adolescentes e crianças.

O Grupom quis saber dos goianienses qual seria sua posição se houvesse uma consulta popular sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O tema é polêmico e bastante debatido ultimamente. No início do mês, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em conjunto com o instituto MDA, ouviu brasileiros de todos os estados a respeito da questão. Se manifestaram a favor da redução da maioridade penal 92,7% dos entrevistados, outros 6,3% são contra e 0,9% não opinaram. Em abril, a Datafolha ouviu paulistanos e descobriu que 93% dos moradores da capital paulista concordam com a redução da idade para que uma pessoa responda criminalmente por seus atos. Outros 6% são contra, e 1% não soube responder.

No Senado Federal há várias propostas em tramitação, três delas em discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Apenas uma tem o voto favorável do relator, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), a de autoria do senador tucano Aloysio Nunes (PSDB-SP), que defende a restrição da redução da maioridade penal apenas em casos de crimes cometidos por menores como tortura, terrorismo, tráfico de drogas, homicídio por grupo de extermínio, homicídio qualificado e estupro. Duas audiências públicas foram realizadas e ambas com debates acalorados, prevalecendo a posição contrária à possibilidade de imputabilidade de menores de 18 anos. Para especialistas é preciso maior rigor na aplicação das medidas socioeducativas.

Presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agsep), o delegado Edemundo Dias admite que mudou de opinião. “Já fui contrário e hoje sou a favor, com ressalvas”. Uma delas, segundo ele, é a necessidade de adequação da estrutura do sistema carcerário brasileiro antes da decisão que, certamente, vai aumentar o déficit de vagas. O presidente da Agsep defende a construção de presídios específicos, com visão eminentemente educadora, para atender jovens menores de 18 anos. “É um público diferenciado, com informação e aterroriza o Brasil por causa do sentimento de impunidade. Jogar essa meninada dentro do sistema carcerário brasileiro é aumentar a bomba e o caos já estabelecido”, diz Edemundo Dias.

A pesquisa do Grupom revela um empate técnico quando a questão é o tipo de punição a ser imputada ao menor. Entre os entrevistados, 44.9% concordam que os jovens não podem receber as mesmas penas de um adulto porque podem ser reeducados com sucesso, mas 48,% discordam dessa opinião. O empate pode significar uma inconsistência respeito do tema ou preferência por outros meios de lidar com os jovens ao invés de enviá-los para o sistema carcerário tradicional.




Uma pesquisa feita recentemente pela Agsep mostra que 76% dos 15 mil presos de Goiás são jovens de 18 a 29 anos e mais de 90% deles são dependentes químicos. Os crimes cometidos também estão mais graves, como homicídios, latrocínios e tráfico de drogas. “Isso significa que os presídios hoje são ocupados por um público muito jovem e muito agressivo”.

Titular da Secretaria Estadual de Cidadania e Trabalho, Henrique Arantes explica que como civil e político é a favor da redução da maioridade penal, embora tenha que cumprir a lei como gestor. “Os menores têm consciência do que fazem, do dolo que praticam. Eles fazem porque sabem que vão ficar impunes”. As medidas socioeducativas aplicadas hoje podem chegar a no máximo três anos e são reavaliadas a cada seis meses. Nas seis unidades gerenciadas pela pasta, 320 menores cumprem medidas socioeducativas. “Estamos no limite”, diz Henrique Arantes.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil - seção Goiás (OAB-GO), Mônica Araújo considera preocupante o resultado da pesquisa do Grupom. “O que precisamos é de políticas públicas de segurança, de prevenção à criminalidade e voltadas para crianças e adolescentes. Isso é que impede os atos infracionais”. Para a advogada, o Estatuto da Criança e do Adolescente no que diz respeito à aplicação de medidas socioeducativas não é cumprido. “Se formos analisar a questão pelo clamor público corremos o risco de errar. Por que alterar uma lei se ela não é cumprida?”, questiona. Mônica Araújo afirma que reduzir a maioridade penal não vai impedir que os jovens cometam crimes.


Projeto divide opinião de especialistas

Maria José Silva 02 de julho de 2013 (terça-feira)

O projeto que propõe a redução da maioridade penal divide a opinião de profissionais envolvidos diretamente com a questão. Enquanto algumas personalidades defendem a redução de 18 para 16 anos como forma de punição, outras dizem que a proposta é simplista e não resolve o problema da criminalidade.

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, titular da 1ª Vara Criminal de Goiânia, aponta o transformação da sociedade verificada ao longo das últimas seis décadas como justificativa para a diminuição da maioridade penal. Ele diz que quando o Código de Processo Penal foi instituído, em 1940, o adolescente não tinha acesso ao volume de informações, como hoje.

Na prática, conforme avalia o juiz, hoje, devido ao desenvolvimento alcançado pela população, o jovem na faixa etária dos 16 aos 18 anos tem condição de ser responsabilizado, é capaz de entender o caráter ilícito do fato. Jesseir Coelho Alcântara também repara que as medidas socioeducativas, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, não atingem o objetivo de recuperar o jovem nessa faixa etária.

O psicólogo da Superintendência de Polícia Técnico-Científica, Leonardo Faria, considera a diminuição da maioridade penal como a pior forma de se combater a violência. Especialista em Criminologia, Neurocirurgia e Psicologia Jurídica, ele aponta estudos científicos que comprovam que o cérebro de um adolescente ainda está em formação para se opor à ideia propagada por muitos políticos de que a legislação está ultrapassada.

“É certo que o mundo mudou, mas a biologia não”, acentua Leonardo Faria, ao destacar que o lobo frontal, parte do cérebro que gerencia o comportamento humano, ainda está em formação na adolescência. O psicólogo enfatiza a importância de o ECA ser efetivamente cumprido e de serem desenvolvidas políticas públicas que, de fato, inibem a criminalidade.

A promotora Karina D’Abruzzo, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Infância e da Juventude do Ministério Público Estadual, destaca que “antes de mudar a lei, melhor cumpri-la. Na avaliação dela, a população é favorável à prisão porque a vê como forma de punição. Porém, conforme diz, a medida socioeducativa é mais efetiva que o encarceramento.

Fontes: PESQUISA GRUPOM - MAIORIDADE PENAL
JORNAL O POPULAR: http://www.opopular.com.br/editorias/cidades/92-%C3%A9-a-favor-de-redu%C3%A7%C3%A3o-1.351289



quarta-feira, 13 de março de 2013

Oferta de imóveis usados cai ao menor nível em três anos

Mercado imobiliário
No mês passado, número de imóveis usados colocados no mercado de Goiânia caiu 39,8% em relação a fevereiro de 2012
Ricardo César 
13 de março de 2013 (quarta-feira)

O avanço do crédito e do número de imóveis novos disponíveis formaram a combinação perfeita para levar o mercado de usados à pior crise de oferta dos últimos três anos na Região Metropolitana de Goiânia. Sondagem do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) aponta que a quantidade de apartamentos, casas, salas comerciais usados colocados à venda atingiu em fevereiro o menor nível desde 2010.

Foram colocados à venda 54.239 imóveis usados no último mês. Essa é a menor quantidade já registrada pelo mercado em relação a qualquer mês entre fevereiro de 2010 e fevereiro de 2013. Só para ter noção, o número representa um recuo de 39,8% na oferta, na comparação com fevereiro de 2012, e de 22,13% em relação a fevereiro de 2011.

A pesquisa se baseia no número de ofertas dos classificados de jornais diários – considerado pelo mercado imobiliário o melhor termômetro para o mercado de usados. Foram analisadas as publicações de três periódicos, incluindo o Classificados do POPULAR, que concentrou 76,86% dos anúncios em fevereiro.

O pesquisador e um dos responsáveis pela sondagem do Creci, Mário Rodrigues Filho, diz que a queda na quantidade de imóveis de terceiros colocados à venda no mercado vem acontecendo de forma constante desde julho de 2012 – mês com a maior oferta de anúncios, com 94.330 imóveis à venda, conforme a pesquisa Creci.

A maior retração foi registrada na oferta de apartamentos, em que o recuo foi de 46,5%. Em fevereiro foram anunciados 20.586 (incluindo 691 coberturas). Em janeiro deste ano, eram 23.733 apartamentos à venda e, em março de 2012, eram 38.480. O número de casas anunciadas, por sua vez, caiu 41,4%.

Apesar de não haver convergência entre todos os analistas consultados, a redução na oferta de imóveis tem duas possíveis causas: uma redução da demanda por imóveis usados, induzindo os proprietários a esperar um aquecimento no mercado; ou, numa segunda hipótese, não houve reposição no estoque de usados após um aquecido período de vendas, o que poderia ocasionar uma elevação nos preços.

O presidente do Creci-GO, Oscar Hugo Guimarães, analisa que o avanço do crédito imobiliário, desde 2006, é uma das explicações para a desaceleração da demanda. “Com a disponibilidade para financiamento, as pessoas estão comprando mais novos. Boa parte dos que compram é para morar e não revender, por isso a redução.”

Este cenário pode ser observado entre os agentes financiadores. A Caixa Econômica Federal (CEF), que é responsável por cerca de 80% dos financiamentos realizados no Estado, destinou 87% dos R$ 5,2 bilhões liberados para a aquisição da casa própria para imóveis novos, por opção de seus clientes. Apenas 13% (R$ 576 milhões) foram destinados aos usados.

Lançamentos
O presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Ilézio Inácio Ferreira, entretanto, diz acreditar que a queda da oferta de usados está relacionado diretamente com a redução do número de lançamento de novos.
“Em 2012, tivemos menos lançamentos do que em 2011. A queda na oferta de novos afeta diretamente o mercado de usados. O novo quase sempre não é o primeiro imóvel”, diz o dirigente.

Ilézio ainda lembra que os imóveis novos são adquiridos com a oferta de outros na negociação, movimentando tanto o mercado de novos quanto o de usados.

     Negócios vão crescer, dizem corretores     

(RC) 13 de março de 2013 (quarta-feira)
A oferta de um lote ou imóvel menor na negociação para compra de outro maior ou de padrão mais elevado é um procedimento que a funcionária pública Rosangela de Castro tem percebido ultimamente. Ela colocou seu apartamento de 130 metros quadrados, na Rua 9 do Setor Oeste, à venda em janeiro deste ano. “Existe procura, mas quase todos oferecem um apartamento menor ou um lote na negociação. Eu só vendo à vista e em dinheiro.”
O presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Wilson César Raskovit, estima que os proprietários podem também estar avaliando o que está acontecendo com o mercado para se posicionar. “Os proprietários estão segurando os imóveis para ver o que vai acontecer”, opina Raskovit.

Prática
O gerente de Unidades da Leonardo Rizzo, Renato Flores, destaca que a oferta de imóveis novos no mercado, somada à facilidade de financiamento, inibe a comercialização de usados. Por outro lado, diz, o mercado de revendas é o que mais movimenta dinheiro e, por isso, precisa de um trabalho focado.

“O sucesso de vendas neste segmento é formatar o imóvel às necessidades do consumidor. Para o mercado não sentir o efeito da diminuição da oferta, é preciso captar imóveis certo para as reais necessidades do cliente”, diz.

Para o diretor comercial da Urbis, Ricardo Teixeira, a queda do número de usados é pontual e transitória. Ele avalia que Goiânia tem, de forma geral, um mercado jovem. O mercado de usados, chamado por ele de mercado secundário, ainda não atingiu todo o seu potencial, porque ainda existe muito espaço para mercado primário (imóveis novos).

“Há mercado para ser explorado em Goiânia. O maior número de novos faz aumentar a oferta de usados. Este é o ciclo. O segmento de médio e alto padrão, por exemplo, ainda não chegou ao mercado de usados. Com a redução dos juros e a entrada desse tipo de empreendimento nas vendas entre consumidores, o mercado de usados vai crescer”, estima o empresário.


Preço e pronta entrega são atrativos para o consumidor

O presidente do Sindicato da Habitação do Estado de Goiás (Secovi), Marcelo Baiocchi, avalia que os imóveis usados continuam atrativos, principalmente por conta do preço e da pronta entrega.
(Ricardo César)  
13 de março de 2013 (quarta-feira)
Como funciona o mercado de imóveis usados?
O mercado de imóveis usados acompanha muito o mercado de imóveis em lançamento. Porém, no início do ano há uma procura menor por imóveis para compra, já que as famílias estão mais preocupadas com os pagamentos do início do ano, como material escolar, impostos, entre outros.
 
Os preços subiram?
Os preços do mercado imobiliário mantém-se estáveis, acompanhando a reposição inflacionária.
 
Qual o principal atrativo deste mercado?
O maior fator de movimentação de imóveis usados, sem dúvidas, é o preço, que é mais acessível. Outro ponto são os acessórios que acompanham esses imóveis usados, como chuveiros, luminárias, armários, entre outros. Essa é uma vantagem que o imóvel novo não oferece. Com isso, o custo benefício é mais vantajoso.
 
Este mercado está atrativo?
Em 2012 o que nós podemos verificar em relação aos imóveis usados é que eles continuam atrativos, em virtude da pronta entrega, dos preços menores e dos acessórios necessários para moradia.
 
Qual a maior dificuldade para a venda de usados?
A maior dificuldade de venda é a capacidade financeira do comprador. Tanto a disponibilidade de recurso próprio, quanto comprovação de renda para obter um financiamento, acaba impedindo que a compra seja finalizada. 

Fontes:
PESQUISA GRUPOM - SONDAGEM DE OFERTAS ANUNCIADAS DE IMÓVEIS
 JORNAL O POPULAR http://www.opopular.com.br/editorias/economia/oferta-de-im%C3%B3veis-usados-cai-ao-menor-n%C3%ADvel-em-tr%C3%AAs-anos-1.290782