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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

ONU discute impacto da revolução digital na indústria brasileira.


Em São Paulo, a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) defendeu o papel do Estado na facilitação e coordenação de políticas industriais voltadas para a chamada quarta Revolução Industrial, alavancada por inovações das tecnologias digitais de informação e comunicação.

A Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) promoveu em São Paulo, dia 11/09, uma cúpula global sobre as recentes transformações tecnológicas no setor produtivo. Evento debateu as oportunidades e desafios que a chamada quarta Revolução Industrial trará para o Brasil.
“Não devemos acreditar que a quarta Revolução Industrial afetará apenas algumas poucas empresas. Estamos certos de que será um movimento universal e de que todas as empresas, independentemente de seu tamanho ou setor, precisarão se adaptar para permanecer competitivas”, afirmou durante o encontro de especialistas o diretor da Confederação Nacional da Indústria (CNI) do Brasil, Carlos Eduardo Abijaodi.
A instituição sediou o evento em São Paulo, ligado à cúpula da agência da ONU conhecida pelo nome em inglês Global Manufacturing and Industrialization Summit (GMIS). A iniciativa na capital estadual foi uma das etapas do projeto itinerante GMIS Connect, que promoverá debates sobre a revolução tecnológica na indústria em diferentes partes do mundo.
“Estamos num ponto de inflexão. Perder as oportunidades criadas pela Indústria 4.0 será imperdoável”, completou Abijaodi.
Para o representante da UNIDO no Brasil, Alessandro Amadio, “não se trata de discutir se as políticas industriais devem existir ou não, mas de pensar em novas abordagens para o desenvolvimento produtivo que, ao mesmo tempo, minimizem os riscos associados a políticas seletivas e garantam o papel do Estado na facilitação e coordenação”.
A GMIS é uma iniciativa dos Emirados Árabes Unidos com a agência da ONU. O projeto reúne fabricantes, governos, ONGs, empreendedores, investidores e consultores em tecnologia para direcionar as inovações da quarta Revolução Industrial rumo à indústria do futuro.
Também presente no encontro em São Paulo, o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, afirmou que “tecnologias disruptivas e novos modelos de negócios estão mudando os padrões de comércio e produção em todo o mundo”.
“Desenvolvimentos com o big data, a digitalização e a inteligência artificial tornam possível todo um novo conjunto de aplicações nas ciências da vida e educação. Portanto, temos de entender que estamos entrando em uma nova era para a humanidade”, completou o representante do Estado argentino.
O diretor-geral do Comitê Organizador da GMIS, Namir Hourani, disse que “a oportunidade que a quarta Revolução Industrial apresenta para indústrias e economias em todo o mundo é imensa”.
“Porém, para garantir que capturemos esse potencial, deve haver colaboração entre todas as principais partes interessadas na elaboração de um caminho estratégico para sua implementação”, avaliou o especialista.
“Como uma plataforma para a discussão e o debate que definirá o curso para um futuro próspero, estamos muito satisfeitos de poder visitar o Brasil, a fim de ver essas inovações na prática”, concluiu Hourani.
O GMIS Connect do Brasil contou com três painéis de especialistas da indústria, que abordaram como a revolução digital e a inovação tecnológica estão transformando o mundo — economicamente, ambientalmente e em prol da inclusão social. O encontro também debateu como os setores privado o público podem se preparar para essas mudanças, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS.
Fonte: ONU BR

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Brasileiros elegem saúde, educação e erradicação da fome e pobreza prioridades, diz estudo da ONU

Consulta feita em parceria com o Ibope ouviu 2 mil brasileiros sobre os objetivos de desenvolvimento sustentável contratados pelo Brasil junto às Nações Unidas
RIO – Erradicar a pobreza e a fome e garantir saúde e educação de qualidade são as ações mais citadas por brasileiros quando questionados sobre o que traria mais benefícios ao país. A pesquisa, realizada pela ONU em parceria com o Ibope, entrevistou 2.002 maiores de 16 anos em 143 municípios brasileiros no mês de abril. O objetivo era levantar a percepção da população sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) contratados em 2015 pelos países signatários das Nações Unidas, a chamada Agenda 2030. Na semana passada, reportagem publicada pelo O GLOBO mostrou que dois esses objetivos, a erradicação da pobreza e da fome, estão ameaçados devido ao desemprego recorde, a crise fiscal e à recessão que impede a economia de voltar a crescer. O alerta é de relatório elaborado por mais de 40 entidades da sociedade civil, entregue à ONU recentemente.
— Entendemos que os brasileiros elegeram essas prioridades porque são questões sociais importantes, porque fazem parte de suas experiências, seja profissional ou de vida e sobre o que ela está vivendo nesse momento, mas também porque fazem parte da agenda das Nações Unidas — explicou Haroldo Machado Filho, co presidente do grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil sobre a Agenda 2030, complementando que, para a ONU, todos esses temas são igualmente importantes porque a ideia é que o desenvolvimento sustentável pleno só acontecerá se todos os 17 objetivos caminharem em igualdade:
— Dizemos que são objetivos integrados e indivisíveis — complementou.
Além dos cinco ODS já citados, a Agenda 2030 ainda engloba compromissos acerca do alcance da igualdade entre homens e mulheres, a garantia ao acesso à água e saneamento, à energia elétrica, apoio à infraestrutura de qualidade, industrialização sustentável e inovação, tonar as cidades sustentáveis, promover padrões sustentáveis de produção de consumo, implementar ações para combater a mudança do clima, proteger e recuperar os riso e oceanos, recuperar terras e florestas, promover a paz, proporcionar acesso à justiça e fortalecer as parcerias entre países para promover ações sustentáveis.
Garantir saúde de qualidade foi citada por 35% dos entrevistados, seguido de acabar com a pobreza (33%), depois garantir educação de qualidade (31%), garantir emprego e condições adequadas de trabalho (26%) e em quinto acabar com a fome e desnutrição e promover a agricultura sustentável (24%). A redução das desigualdades também se destacou. Foi citada como prioritária para trazer benefícios para o país por 19% dos entrevistados.
E, para a maior parte dos pesquisados é responsabilidade do estado fazer com que esses objetivos sejam cumpridos. O governo federal foi citado como responsável por 51% dos entrevistados, os governos estaduais por 46% e as prefeituras por 33%. Em seguida, empatadas, foram citadas a iniciativa privada e as instituições acadêmicas, ambas citadas por 14% dos entrevistados. Somente 4% dos entrevistados respondeu que a maior responsabilidade pela implementação dos ODS seria da própria população.
— Queremos reverter no futuro essa questão de baixa participação. O futuro é de todos, então, as pessoas precisam se apropriar dele e se envolver nessa construção. O voluntariado ainda é pouco praticado no Brasil. Uma pessoa formada em faculdade pode dar aula em escolas públicas gratuitamente, pode ser mentor. O brasileiro é bastante solidário mas faz pouca atividade voluntária — avaliou o co presidente do grupo Assessor do Sistema ONU no Brasil sobre a Agenda 2030.
A pesquisa captou, ainda, que quase metade das pessoas desconheciam os objetivos (49%), enquanto 51% já tinha ouvido falar ou tinha algum ou bastante conhecimento sobre o assunto (51%).
— É aquela coisa de enxergar ou o copo meio cheio ou meio vazio. Nós vemos o copo meio cheio, pois os objetivos só têm dois anos. Pensamos até que seria maior a porcentagem de pessoas que desconheciam os ODS — completou Machado Filho.
Fonte: O Globo