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quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dica de Leitura Grupom - "Mindset"

"Mindset", de Carol Dweck.
Carol S. Dweck, professora de psicologia na Universidade Stanford e especialista internacional em sucesso e motivação, desenvolveu, ao longo de décadas de pesquisa, um conceito fundamental: a atitude mental com que as pessoas encaram a vida, que ela chama de "Mindset", é crucial para o sucesso.
Neste livro, Dweck revela como o sucesso pode ser alcançado pela maneira como as pessoas lidam com objetivos. O Mindset não é um mero traço de personalidade, é a explicação de por que as pessoas são otimistas ou pessimistas, bem-sucedidas ou não. Ele define a relação com o trabalho e com as pessoas e a maneira como educam os filhos. É um fator decisivo para que todo o nosso potencial seja explorado.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Como ganhar uma eleição

Maria Cristina Fernandes

O título é o nome de um livrinho escrito 64 anos antes de Cristo. É de grande utilidade na temporada eleitoral que se inicia. Políticos, marqueteiros e estrategistas de campanha sempre se serviram dele. Por razões inversas, o texto também pode ser de grande serventia para o eleitor.
Sua leitura é especialmente esclarecedora para saudosistas de um tempo que nunca existiu. Os conselhos de Quinto Túlio Cícero mostram que política nunca se escreveu com 'p' maiúsculo. Talvez porque seja feita por gente. Sem conhecê-la, o eleitor se torna presa fácil do discurso de que só os bem-aventurados são capazes de fazer a política maiúscula, aquela da mitologia.
O autor é o irmão mais novo de Marco Túlio Cícero, um advogado de 42 anos com ambição de se tornar cônsul, o mais alto posto da república romana. Descendem de um rico comerciante do sul de Roma que mandou os filhos estudar filosofia e oratória na Grécia.
Cícero enterra a saudade de um tempo que nunca existiu
Marco Túlio torna-se um grande orador nos tribunais mas, para chegar a cônsul, precisa enfrentar as resistências da aristocracia fornecedora de dirigentes da república. Quinto manda seu irmão repetir para si mesmo: "Sou um 'outsider'. Quero ser cônsul. Esta é Roma".
O voto era direto, secreto e masculino, mas o sistema eleitoral conferia mais peso aos nobres. "Nunca deixe que o tomem por um populista", diz Quinto Túlio ao traçar a estratégia de aproximação do irmão com a aristocracia. Deveria ficar claro para os nobres que todo movimento em direção ao povo se devia a tática eleitoral.
Marco Túlio não deveria se deixar intimidar pelos concorrentes de sangue azul. Um tinha tido a propriedade confiscada por dívida e comprara uma escrava para lhe prestar serviços sexuais. Outro matara o cunhado, molestava jovens garotos e corrompia juízes nos tribunais. Essas questões não precisam ser explicitadas mas os adversários devem saber que são conhecidas. Estava lançado aí o primeiro tijolo das fábricas de dossiês.
Esta é a primeira parte da campanha. Em que o candidato se assenhora de sua ambição e se torna amigo dos mais aquinhoados de dinheiro e poder para não ser por eles barrado. Numa disputa eleitoral, diz Quinto, há duas tarefas: assegurar o apoio de seus amigos e ganhar o do público: "Você ganhará o dos amigos com gentilezas, favores, conexões, disponibilidade e charme".
Marco Túlio Cícero deve lhes dizer nunca lhes ter pedido nada antes e que chegara a hora de fazê-lo. "Faça-os saber que se você ganhar a eleição agora você estará em dívida com eles".
O irmão não deve filtrar aliados pelo caráter. Numa campanha, diz o irmão, você não deve ter vergonha de cultivar amigos com gente de quem nenhuma pessoa decente se aproximaria - "Você será um tolo se não o fizer". Nasciam as diretrizes das megacoalizões eleitorais.
A segunda parte da campanha deve tratar de ganhar o povo. O primeiro passo é conhecer as pessoas pelo nome. Num eleitorado de 141 milhões a tarefa é em parte feita pela propaganda na TV. Gente do povo é escolhida a dedo para representar na TV segmentos do eleitorado com quem o candidato deve mostrar intimidade.
Chamar os eleitores pelo nome não basta. Eles precisam saber o que vão ganhar com sua eleição. Por isso, Quinto diz que o irmão não deve ter o pudor de prometer, ainda que mais tarde seja necessário convencer os eleitores de que não foi possível cumprir o prometido.
O mais prudente, diz Quinto, é ser vago em relação às promessas. Dizer aos nobres que manterá seus privilégios, aos empresários que assegurará a estabilidade de seus negócios e ao povo que sempre esteve e estará ao seu lado. "A parte mais importante da campanha é levar esperança às pessoas e atrair seus bons augúrios", diz Quinto. Mas seu irmão deveria saber que não seria capaz de fazê-lo se confiasse facilmente nas pessoas. "A política é cheia de falsidade, deslealdade e traições".
Marco Túlio Cícero elegeu-se cônsul. Durante seu governo, um dos adversários derrotados conspirou para derrotá-lo. Cícero desbaratou a conspiração e persuadiu o Senado a declarar guerra ao adversário. Quinto foi eleito para o mais alto cargo da magistratura, cargo que só perdia para o de cônsul, em poder e prestígio. Depois foi governador na província romana que se tornaria a Turquia. Os irmãos Cícero tinham dominado os códigos para conquistar e exercer o poder na república romana, mas não sobreviveriam à guerra civil que daria início ao Império. No ano 43 A.C. seriam assassinados.

Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras para o Jornal “Valor Econômico”

Maria Cristina Fernandes é editora de Política e colunista do Valor desde a fundação do jornal em maio de 2000.
Integrou a equipe que fundou a revista "Época", publicação da qual foi repórter especial. Foi editora de Política da "Gazeta Mercantil", subeditora da revista "Veja" e repórter do "Jornal do Comércio".
É formada em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e em História pela Universidade Federal de Pernambuco. É mestre em Política Comparada pela Universidade de Paris I e em Política Latino-Americana pela Universidade de Londres.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Como ressuscitar a criatividade

Por Noemi Jaffe


Sem ideias: morte da criatividade ocorre na sala
do chefe, do executivo... até no playground

Com todos os componentes, a linguagem, a tipografia e até o design gráfico da capa correspondentes a uma investigação policial, o livro "Quem Matou a Criatividade?", de Andrew Grant e Gaia Grant (com dr. Jason Gallate) - e por algum motivo inexplicável diversos livros de autoajuda são escritos por vários autores -, promete conduzir o leitor pelos meandros de uma apuração: quem foi o assassino, quais foram os locais do assassinato e as possíveis causas da morte da criatividade. Mas que o leitor não fique decepcionado apenas com os elementos próprios de um investigador de polícia, pois o livro vai além. Ele também oferece soluções para que não haja mais assassinatos. Que alívio!

Bem, vamos para os assassinos e os locais da morte da criatividade: o controle, o medo, a pressão, o isolamento, a apatia, a mentalidade estreita e o pessimismo são os responsáveis. Os lugares onde os assassinatos ocorrem são: o escritório do chefe, a sala da diretoria, as finanças ou a contabilidade, as salas dos executivos, a pesquisa e desenvolvimento (aqui não sei se é a sala de pesquisa ou se é a própria pesquisa), as vendas e marketing (idem), a cafeteria, a sala de aula ou o espaço de leitura e, pasmem, o playground.

As etapas necessárias para que não ocorram mais mortes são: a liberação, a iniciação, a motivação e a transformação. Como? Com liberdade, coragem, independência, abertura, paixão, flexibilidade e positividade. E onde? Você por acaso teve a ousadia de achar que os locais são algo como a casa, a praça ou a rua? Não, de forma alguma! Que falta de criatividade! Os locais são exatamente os mesmos da etapa anterior: a sala do chefe, os escritórios etc.

Se você ainda não percebeu, a investigação rigorosa sobre o assassinato da criatividade tem, por objetivo máximo e por que não dizer, único, recuperá-la para fins de melhor rendimento criativo do executivo.

Paradoxo fundamental número um da ausência de criatividade: quando se ambiciona a criatividade, ela costuma se retrair. Paradoxo fundamental número dois: quando se deseja utilizar a criatividade para fins específicos e utilitários, ela se ofende e se retrai. Ela não está interessada em ser direcionada. E, finalmente, paradoxo número três: ela, a criatividade, não existe em si mesma. Não é algo que se obtenha, como uma propriedade. Ela e o indivíduo são os mesmos, em permanente fluxo e mutação.

Que se queira proceder à análise da desaparição da criatividade nos negócios como uma investigação policial já é, em si mesmo, um assassinato da imaginação. Que ainda se classifiquem as causas e os locais e se proponham soluções, acima de tudo com vistas a um melhor aproveitamento profissional da criatividade, eu diria que é a própria proposta de extermínio do sujeito criativo.

Enquanto os livros de autoajuda, as empresas e os executivos não entenderem que a mente não é um arquivo dividido em gavetas e escaninhos e que as habilidades humanas não são classificáveis nem investigáveis como os autos de um inquérito, não haverá reparo possível para a anestesia geral do comportamento. Enquanto a criatividade for compreendida como algo que serve a uma finalidade - especialmente visando ao lucro -, ela (que não existe por si mesma) não se manifestará. E não se engane. Se ela aparecer, se o livro funcionar, é porque ocorreu o fracasso criativo. O sucesso da criatividade como resultado é a sua derrota.


"Quem Matou a Criatividade? O Assassino Está por Perto".

Andrew Grant e Gaia Grant (com dr. Jason Gallate). Trad.: Silvio Floreal de Jesus Antunha. Saraiva, 312 págs., R$ 34,90
Noemi Jaffe é doutora em literatura brasileira pela USP e autora de "Quando Nada Está Acontecendo" (Martins Editora)

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Os caçadores de talentos


Camila Moraes

Uma visita hoje em dia a uma grande livraria de qualquer capital brasileira, abarrotada de títulos, invariavelmente suscita na mente dos mais curiosos uma pergunta simples, porém pertinente: quem escolhe os livros a ser publicados? Poucos imaginam que, além do editor, figura sem dúvida decisiva na cadeia editorial, um personagem anônimo, quase secreto, tem grande influência na processo de publicação: o "scout" literário.

Maria, importante "scout" em âmbito mundial: "scouting" é a arte de fazer boas pontes, dando informação valiosa e responsável, o que nem sempre equivale à descoberta de um best-seller


Olheiro profissional, figura bem relacionada e leitor competente com vasto conhecimento de mercado, o "scout" é para a indústria da literatura o que os caça-talentos são para o futebol. A diferença é que atuam com uma pilha interminável de originais, sem tempo para treinar talentos em ascensão. Sua tarefa é prospectar livros, identificar possíveis best-sellers e, quando algo bom surgir diante de seus dedicados olhos, correr para soltar a voz entre seus clientes. Quem emplacar uma publicação de sucesso de tempos em tempos terá emprego garantido.
Normalmente, um "scout" está ligado a uma única editora em cada país. No Brasil, é comum desde a década de 1990, entre as grandes casas, a assessoria de profissionais radicados nos Estados Unidos e na Europa a editores sedentos por novidades quentes. É o caso, por exemplo, da "scout" mais proeminente de todo o mundo atualmente: Maria Campbell, que trabalha para a Companhia das Letras desde 1991. Responsável por um escritório em Nova York e outro recém-aberto em Londres, essa descendente de italianos que destaca a curiosidade sobre todas as demais características que fazem seu trabalho fluir capitaneia um time de leitores de vários idiomas. São profissionais responsáveis por cobrir 18 países para alimentar uma vasta cartela de clientes que, segundo Maria, "são editoras que estão entre as três melhores de seus países".
Para ela, "scouting" é a arte de fazer boas pontes, dando informação valiosa e responsável. E poucas vezes isso equivale à descoberta de um best-seller, por mais rápido e bom farejador que seja o profissional. "A qualidade do trabalho do 'scout' é proporcional à do seu cliente. É preciso saber usá-lo. Quando um editor diz 'estou procurando best-sellers', sei que ele não entende bem o trabalho. Trata-se, na verdade, de um diálogo constante", afirma Maria.
No Brasil, é comum desde os anos 1990, entre as grandes editoras, a assessoria de profissionais radicados nos Estados Unidos e na Europa
Mesmo não sendo feito de campeões de venda o dia a dia de um "scout", é para seguir seus rastros que a maioria das editoras brasileiras busca seus serviços. Pelo menos até hoje, o "scout" justifica sua presença no estreito mercado nacional sempre que for um estrangeiro radicado nos Estados Unidos ou na Europa, escaneando especialmente territórios de língua inglesa.
A italiana Cristina de Stefano, que vigia Itália e França para indicar livros à editora Objetiva desde 2005, reconhece que o inglês domina o mercado das traduções. Segundo ela, o Brasil é visto na área como um "player" de primeira importância, sempre ávido por publicar títulos bem avaliados antes mesmo que seus países de origem. "Há dois anos, o Brasil era bastante agressivo na disputa pelos livros. Começou a praticar muito a 'preemptive offer', na qual o editor oferece uma grande quantidade para conseguir os direitos de publicá-los sem passar por leilão. Agora, estão mais seletivos, mas a imagem que persiste é a de um mundo editorial bastante dinâmico."
Essa posição no cenário mundial, para Cristina, começou a ser ocupada pelos brasileiros logo após a crise econômica europeia de 2008. "De repente vimos o Brasil, com uma imagem atraente e a capacidade de investir em um momento no qual muitos países se retraíam", conta.
Costa e os "scouts": "Eles estão em contato com editores e agentes, sabem o que está acontecendo"

A mão inversa parece ser o que busca o país atualmente, ainda que as ânsias por traduzir obras em inglês continuem a pautar muitas linhas editoriais por aqui. São notáveis os esforços do governo brasileiro para promover a literatura nacional internacionalmente, entre os quais se destaca o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Na visão da agente literária Luciana Villas-Boas, da Villas-Boas & Moss, "o apoio à tradução tem sido importante, e a presença nacional é cada vez mais marcante em feiras; cabe ao editor brasileiro ampliar a oferta e captar melhor os originais".
Iniciativas como o convite da Feira do Livro de Frankfurt para ter o Brasil como grande homenageado em 2013 - o evento começou na quarta-feira e vai até domingo - podem ser um divisor de águas para alçar a literatura nacional aos olhos do mundo e estabelecer o país não só nas compras, mas também nas vendas. Essa é a expectativa de Riky Stock, diretora do centro de Agentes e Scouts Literários da Feira de Frankfurt e membro do German Book Office de Nova York, responsável pela promoção da literatura alemã nos Estados Unidos. "Sei como é difícil para estrangeiros conquistar espaço em mercados como o americano. Mas Frankfurt é, mais que nada, uma feira internacional de direitos de autor. A tradução que visa à circulação literária é nossa principal missão."
Bettina Schrewe, outra alemã radicada em Nova York, onde mantém desde 1995 um escritório de "scouting" hoje responsável por investigar 20 territórios para diversos países, inclusive o Brasil, também torce para que Frankfurt cause outro tipo de "boom" nacional. "Mesmo sendo o português um idioma que muitos não podem ler, é esperado que autores brasileiros conquistem espaço em editoras do mundo todo, sobretudo as independentes." As grandes, ela reconhece, estão mais preocupadas com os best-sellers - que não deixam de ser uma alternativa, "talvez um caso de sorte", para que a literatura do país abra caminhos rumo à fama internacional.
Brasileiros "estão mais seletivos, mas a imagem que persiste é a de um mundo editorial bastante dinâmico", afirma "scout" da Objetiva
Para os avessos a confiar no destino, "scouts" surgem nessa perspectiva com seu papel fundamental de selecionar manuscritos e identificar talentos. No entanto, no Brasil, assim como no resto da América Latina, escasseiam os olheiros profissionais capazes de fazer a bem-vinda negociação entre autores de cá e editores e agentes de outros territórios. "Seria bom se existissem mais 'scouts' especializados em literatura brasileira e latino-americana. Porém, o mercado ainda não está maduro para eles", avalia o editor Otávio Marques da Costa, da Companhia das Letras.
Na realidade ainda frágil do Brasil e dos países vizinhos, são muitas vezes editores e agentes os responsáveis por uma espécie de "scouting" informal. Rubén Padilla, coordenador dos programas da Feira Internacional do Livro de Guadalajara voltados para profissionais do meio editorial, observa que na América Latina houve nos últimos anos um incremento de agentes literários independentes procurando exportar seus conteúdos a outras geografias. "Na indústria latina, os profissionais são figuras muitas vezes mal delineadas, multifacetadas. Isso porque as vendas têm margens pequenas de lucro", diz. Mesmo sendo o maior evento de literatura latino-americana (sobretudo hispânica) -, ao qual o Brasil passou a se integrar no ano passado com ações voltadas para a difusão de sua literatura -, Guadalajara não registrou um só "scout" latino-americano em seu catálogo profissional de 2012.
Para Cristina De Stefano, há um perigo em mesclar funções e delegar a outros ou a ninguém em especial a tarefa de rastrear novos autores e títulos relevantes: "O 'scout' é e deve ser sincero, enquanto o agente quer vender. Você confia no primeiro, não no segundo". Sem mencionar, como diz Marques da Costa, que o papel de interlocução de um "scout" é bastante útil a todos os elos da cadeia. "Eles estão em contato com editores e agentes, sabem o que está acontecendo. É uma interlocução rara, mas muito bem-vinda."
Não só o mundo parece precisar de "scouts", mais ainda dos especializados em literaturas "periféricas", como a América Latina tomaria um forte impulso em termos de circulação literária regional se mais profissionais se especializassem em prospectar livros e fazer a ponte direta entre os países vizinhos.
Terron, o "agente literário secreto": de olho nos latino-americanos para selo que organizou na Rocco
Tem sido essa a missão autoatribuída do escritor Joca Reiners Terron, organizador do selo Otra Língua da editora Rocco, dedicado a autores hispano-americanos de obras destacadas, mas ainda inéditos no Brasil. Para ele, iniciativas como a lei recentemente promulgada na Argentina com o objetivo de coibir que obras nacionais sejam impressas na Espanha - intermediário histórico das relações culturais na América Hispânica e, em alguns casos, também com o Brasil - são importantes. "As pequenas editoras locais podem ocupar esse espaço e passar a negociar seus autores sem necessidade dessa intermediação", sugere o escritor e também "agente literário secreto", como ele diz que gosta de pensar em seu trabalho.
Desenha-se nesses moldes o papel de um novo caçador de talentos. Ainda aquele sujeito curioso, rápido e ávido por leituras, mas agora diante das novas realidades eletrônicas e alternativas de publicação, e com a titânica tarefa de conquistar um espaço ao lado dos eternos best-sellers. "O velho 'scout' será substituído por outro, talvez o editor atento à informação e pela profissionalização do setor como um todo", finaliza.

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